Resgatando o Sacerdócio no Lar
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As Escrituras Sagradas distinguem claramente as posições de governo e ministério dentro da Igreja, mas não restringem o exercício do sacerdócio no lar.
Pelo contrário, o sacerdócio no lar é uma responsabilidade central para a estrutura espiritual da família.
Essa distinção nos ajuda a compreender o chamado que Deus faz a cada pai de família: ministrar ao Senhor em favor de sua casa.
A tarefa de cuidar da vida espiritual da família foi confiada ao chefe do lar, sendo uma responsabilidade irrefutável e intransferível.
Muitos, no entanto, delegam essa função aos pastores ou líderes da Igreja, esperando que eles venham orar e abençoar suas casas.
Embora essa prática tenha o seu lugar, cada pai é chamado por Deus a exercer esse papel diariamente em seu lar, intercedendo, ensinando e liderando espiritualmente.
É imperativo que cada pai compreenda seu papel como sacerdote de sua casa.
O cuidado com a vida espiritual da família não é opcional; é uma atribuição divina que exige prática constante e ensino diário.
O lar é o primeiro altar onde o sacerdote do Senhor deve atuar com diligência, amor e fidelidade.
Olá, graça e paz, aqui é o seu irmão em Cristo, Pr. Francisco Miranda do Teologia24horas, que essa “paz que excede todo entendimento, que é Cristo Jesus, seja o árbitro em nosso coração, nesse dia que se chama hoje…” (Fl 4:7; Cl 3:15).
Quando Deus exigiu prestações de contas no Éden, Ele chamou Adão, não Eva, evidenciando a responsabilidade do homem como líder espiritual, cabeça e rei da família.
Essa liderança é concretizada quando o homem assume o sacerdócio, intercede em oração, conduz sua casa espiritualmente e exerce profecia, trazendo a Palavra de Deus para sua família.
Além disso, ele age com juízo, aplicando sabedoria e justiça em seu lar.
Nos dias de hoje, essa visão tem sido negligenciada, e muitos lares carecem de liderança espiritual.
É urgente que cada pai resgate seu papel como sacerdote do lar, liderando com amor, fé e compromisso.
Do mesmo modo, as esposas são chamadas a serem ajudadoras idôneas, cooperando para que a família cresça espiritualmente unida.
Resgatar essa estrutura bíblica é fundamental para fortalecer as famílias e glorificar a Deus, refletindo o plano divino para o lar.
“E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue nos compraste para Deus de toda a tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus nos fizeste reis e sacerdotes; e reinaremos sobre a terra” (Apocalipse 5:9-10).
Baseado em Apocalipse 5:9-10, vemos que Cristo, por meio de Seu sacrifício, restaurou o princípio do sacerdócio universal, incluindo o contexto do lar.
Ele nos comprou com Seu sangue para sermos reis e sacerdotes diante de Deus, um chamado que começa na esfera mais íntima: a família.
Esse entendimento resgata a centralidade do lar como o primeiro altar de adoração e liderança espiritual.
Essa verdade revela a visão do sacerdócio universal do pai de família, mas, infelizmente, muitos ainda têm dificuldade em reconhecer a importância desse papel no sucesso espiritual e emocional de sua casa.
Como pastor, tenho aprendido que antes de exercermos nosso sacerdócio na Igreja, cada homem precisa assumir seu papel como profeta, sacerdote e juiz em seu próprio lar.
Ele deve ser o pastor de sua família, liderando com amor, ensinando a Palavra e intercedendo em oração.
Esse requisito não é apenas para quem busca o ministério, mas para todos os que desejam viver uma vida cristã autêntica e transformadora.
“É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher… e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito, pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como governará a Igreja de Deus?” (I Timóteo 3:2a,4-5).
E se a pessoa não cumpre um requisito básico da vida cristã, então não tem autoridade para ser um ministro à frente da Igreja.
Portanto, o mandamento de ser sacerdote no lar é para todo cristão e isso envolve uma excelente conduta familiar, que depois será cobrada do líder como exemplo para o restante do rebanho:
“Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísse presbíteros, conforme te prescrevi: alguém que seja irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos crentes que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados” (Tito 1:5-6).
A responsabilidade do cabeça do lar
Na condição de cabeça do lar, o homem é o principal responsável pelo sacerdócio de sua família.
Embora a mulher deva ser uma ajudadora idônea e participar desse sacerdócio, a maior responsabilidade recai sobre os ombros do marido.
Infelizmente, muitos homens negligenciam esse papel ao perceberem que suas esposas assumem bem a liderança espiritual. Essa postura é errada.
Por mais competente que seja a mulher, o homem precisa cumprir sua parte como líder espiritual.
“E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade sobre o marido” (1 Timóteo 2:12).
Se o homem é incapaz de exercer o sacerdócio – seja por não ser convertido ou por omissão – a mãe assume esse papel em relação aos filhos, mas não sobre o marido.
Os filhos são uma herança do Senhor (Salmos 127:3), e Deus cobrará dos pais a maneira como cuidaram dessa herança.
Os pais cristãos devem entender a sua responsabilidade de suprir não só as necessidades materiais e emocionais de seus filhos, mas também as espirituais.
“Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão” (Salmos 127:3).
Os filhos não nos pertencem, são propriedade de Deus.
Ele apenas nos confiou aos nossos cuidados, e um dia teremos que responder perante Ele por isso.
Daremos conta da forma como criamos nossos filhos, e isso deve trazer temor ao nosso coração, especialmente no que diz respeito à formação espiritual deles. Não podemos brincar com isso!
Deus está te chamando neste dia a assumir um compromisso maior com Ele de ministrar a vida espiritual de seus filhos:
“Não te esqueças do dia em que estiveste perante o Senhor, teu Deus, em Horebe, quando o Senhor me disse: Reúne este povo, e os farei ouvir as minhas palavras, a fim de que aprenda a temer-me todos os dias que na terra viver e as ensinará aos seus filhos” (Deuteronômio 4:10).
No versículo anterior a este, Deus já havia dito: “…e as farás saber aos teus filhos e aos filhos de teus filhos” (Deuteronômio 4:9).
Precisamos ministrar a Palavra de Deus aos nossos filhos! Nosso ensino – ou a falta dele – tem o poder de afetar o resto da vida de nossos filhos; foi Deus mesmo quem declarou isso: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho, não se desviará dele” (Provérbios 22:6).
Culto familiar
Exercer o sacerdócio no lar é um chamado contínuo, que não se limita a horários fixos ou dias específicos.
Trata-se de uma prática que deve permear todas as áreas da vida familiar e acontecer em diversas situações do dia a dia.
Contudo, a realização de um culto familiar semanal é uma ferramenta poderosa para fortalecer a espiritualidade e a união no lar.
Escolha um dia exclusivo da semana para este propósito e transforme-o em uma tradição sagrada em sua casa.
Cultuar a Deus em família é um hábito que precisa ser cultivado, envolvendo todos os membros na adoração ao Senhor.
Desde os tempos do Antigo Testamento, vemos exemplos de famílias inteiras buscando a Deus juntas:
“Todo o Judá estava em pé diante do Senhor, como também as suas crianças, as suas mulheres e os seus filhos” (II Crônicas 20:13).
“No mesmo dia, ofereceram grandes sacrifícios e se alegraram; pois Deus os alegrara com grande alegria; também as mulheres e os meninos se alegraram, de modo que o júbilo de Jerusalém se ouviu até de longe” (Neemias 12:43).
Essa prática não se limita apenas a frequentar juntos a Casa do Senhor, mas também inclui a realização de um culto familiar no lar.
Durante esses momentos, a família pode orar, estudar a Palavra, cantar louvores e fortalecer os laços espirituais.
O culto familiar é um reflexo de um sacerdócio vivo, que coloca Deus no centro do lar.
Como fazer o seu culto familiar?
Apresentamos abaixo uma sugestão de programação que pode tornar esse momento ainda mais especial, adapte as sugestões conforme a realidade da sua família, mas não deixe de dedicar esse tempo ao Senhor!
Início com música/louvor
- Escolha uma música específica para iniciar o culto (tocada no som ou cantada).
- Sempre que essa música tocar, todos saberão que é hora de se reunir para o culto.
Oração de agradecimento
- Faça uma oração inicial expressando gratidão pelas bênçãos recebidas e entregando o momento a Deus.
Momento de louvor
- Se possível, toque ou cante um hino da Harpa Cristã ou um corinho congregacional.
- Caso ninguém toque, coloque uma canção de adoração no som e acompanhe com palmas e alegria.
Quebra-gelo
- Inclua uma dinâmica leve ou uma conversa descontraída para aproximar os membros da família.
- Este é o momento de risos e união antes de avançar para a Palavra.
Momento da Palavra
- Compartilhe o tema ou texto ministrado no culto de domingo na Igreja.
- Faça uma breve exposição, permitindo que todos compartilhem ideias e experiências pessoais relacionadas ao tema.
- Abra espaço para perguntas e discussões saudáveis, enriquecendo o entendimento da Palavra.
Oração em Família
- Apresente a Deus as causas, desafios e objetivos da família.
- O sacerdote ou sacerdotisa do lar (pai ou mãe) deve profetizar e declarar bênçãos sobre o cônjuge e os filhos, invocando o nome de Jesus.
Partir do pão
- Finalize com um lanche ou jantar, simbolizando comunhão, alegria e celebração, conforme Atos 2:42-46.
- A mesa deve ser um lugar de paz, alegria e compartilhamento, representando Cristo (o Pão) e o Espírito Santo (o Vinho).
Importante:
- Duração: Toda a programação deve ter, no máximo, 1 hora, para não se tornar cansativa, especialmente para crianças.
- Ambiente: Crie um espaço acolhedor e reverente para que a família se sinta confortável e conectada ao momento.
A negligência trará consequências
Quais são as consequências de negligenciar o sacerdócio no lar?
Elas podem ser graves e abrangem tanto o juízo divino para o sacerdote quanto os efeitos desastrosos na vida dos filhos, como a rebeldia e o afastamento de Deus.
A história do sacerdote Eli é um exemplo claro desse princípio.
Eli, que criava Samuel no templo, foi repreendido pelo próprio Deus por negligenciar seu papel de sacerdote em casa.
A primeira palavra profética de Samuel, alguém que certamente amava Eli, foi contra a casa de seu mentor:
“Naquele dia, suscitarei contra Eli tudo quanto tenho falado com respeito à sua casa; começarei e o cumprirei. Porque já lhe disse que julgarei sua casa para sempre, pela iniquidade que ele bem conhecia, porque seus filhos se fizeram execráveis, e ele não os repreendeu” (1 Samuel 3:13).
A negligência de Eli em corrigir e orientar seus filhos levou ao juízo divino sobre sua casa.
O mesmo padrão pode ser observado na vida de Davi.
Embora ele tenha sido um excelente rei, foi um pai negligente.
Davi enfrentou sérios problemas com seus filhos, incluindo rivalidades, traições e tragédias familiares.
Esses exemplos bíblicos são um alerta poderoso: se falharmos em exercer o sacerdócio no lar, podemos comprometer não apenas o relacionamento dos nossos filhos com Deus, mas também a estrutura emocional e espiritual da família.
Para evitar essas consequências, é fundamental que assumamos nosso papel com dedicação, ministrando, ensinando e cobrindo a vida de nossos filhos com oração e a unção que Deus nos concedeu.
Um sacerdócio diligente protege o futuro espiritual da família e reflete a fidelidade ao chamado divino.
Lembre-se: negligenciar o sacerdócio no lar hoje pode resultar em dores e consequências irreparáveis no futuro.
Assuma essa responsabilidade enquanto há tempo.
Conclusão
Deus está chamando os pais cristãos a assumirem seu papel como sacerdotes no lar.
Isso é mais do que um privilégio; é um dever solene.
Cada pai deve ensinar, orar e conduzir sua família no caminho do Senhor, compreendendo que suas ações moldarão o futuro espiritual de seus filhos e impactarão gerações.
“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho, não se desviará dele” (Provérbios 22:6).
Não adie sua decisão.
Comece hoje!
Resgate o sacerdócio no seu lar e veja Deus transformar sua família.
Que Deus abençoe você e sua família nesse propósito de resgatar o sacerdócio no lar!
Espero que este Refrigério Teológico tenha edificado sua vida espiritual!
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