Uma Igreja que se arrisca: o exemplo de Estêvão

Estevão

Seja muito bem-vindo(a) à AULA MESTRE | EBD – Escola Bíblica Dominical | Lição 9 – Revista Lições Biblicas | 3º Trimestre/2025 .

Este conteúdo foi preparado especialmente para auxiliar você, professor(a) da maior escola do mundo, no planejamento de sua aula, oferecendo suporte pedagógico, didático e teológico.

Com linguagem clara e fundamentação sólida nas Escrituras, este material oferece um recurso adicional que aprofunda o estudo, enriquece a aplicação e amplia a compreensão das verdades bíblicas de cada lição.

É fundamental esclarecer que os textos da AULA MESTRE | EBD | Lições Bíblicas não são cópias da revista impressa. 

Embora a estrutura de títulos, tópicos e subtópicos siga fielmente o conteúdo oficial, os textos aqui apresentados são comentários inéditos, reflexões aprofundadas e aplicações teológicas elaboradas pelo Pr. Francisco Miranda , fundador do IBI “ Instituto Bíblico Internacional” e do Teologia24horas.

Mesmo para quem já possui a revista impressa, a AULA MESTRE | EBD | Lições Bíblicas representa uma oportunidade valiosa de preparação, oferecendo uma abordagem teológica e pedagógica mais completa, capaz de fortalecer o ensino e contribuir diretamente para a edificação da Igreja local.

Texto áureo

“Mas ele, estando cheio do Espírito Santo e fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus e Jesus, que estava à direita de Deus.” (At 7.55)

O Texto Áureo revela uma das visões mais sublimes do Novo Testamento: Estêvão, cheio do Espírito Santo, contempla a glória de Deus e Jesus em pé à Sua direita.

Teologicamente, esse versículo manifesta a doutrina da Trindade em plena harmonia — o Pai revelando Sua glória, o Filho exaltado à direita e o Espírito Santo enchendo o mártir de poder e coragem (Hb 1.3; Jo 16.13-14).

O detalhe de Cristo estar “em pé” (e não apenas assentado) destaca Sua postura ativa de intercessor e defensor do fiel perseguido (Rm 8.34; 1Jo 2.1).

Assim, vemos que a esperança cristã não é meramente terrena, mas celestial: em meio à violência dos homens, Estêvão encontrou segurança na revelação de que o Redentor exaltado vela por sua Igreja e acolhe os que permanecem fiéis até a morte.

Verdade prática

A Igreja foi capacitada por Deus para enfrentar um mundo que é hostil à sua fé e valores.

A Verdade Prática afirma que a Igreja não foi deixada desamparada em um mundo hostil, mas capacitada por Deus para permanecer firme em sua fé e valores.

Jesus já havia advertido que seus discípulos seriam odiados pelo mundo (Jo 15.18-19), mas também prometeu o Consolador, o Espírito Santo, como força capacitadora (At 1.8).

A hostilidade não anula a missão da Igreja, antes a confirma, pois a luz só se manifesta em meio às trevas (Mt 5.14-16).

Assim, a Igreja, sustentada pela Palavra, revestida pelo Espírito e guardada pela graça, não apenas resiste às pressões externas, mas também influencia e transforma a sociedade, mostrando que sua vitória está em Cristo, não nas circunstâncias (Rm 8.37).

Objetivos da lição

  • Elencar os desafios enfrentados por Estêvão ao ter sua fé questionada e como isso reflete na experiência da Igreja hoje;
  • Mostrar a defesa da fé feita por Estêvão e sua aplicação para os cristãos na atualidade;
  • Refletir sobre o martírio de Estêvão e a importância da perseverança e fidelidade à missão da Igreja.

Leitura diária

  • Segunda | Mt 10:16 – Vivendo em um mundo hostil
  • Terça | At 20:24 – Nada a temer na pregação do Evangelho
  • Quarta | At 6:10 – Capacitados com sabedoria para o confronto
  • Quinta | At 6:11-13 – Caluniados e difamados pelos opositores
  • Sexta | Ap 2:10 – Fiel até à morte nas perseguições contra a fé
  • Sábado | At 7:60 – Morrendo e perdoando pela fé

Leitura bíblica em classe

Atos 6.8-15; 7.54-60

Atos 6
8 – E Estêvão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo.
9 – E levantaram-se alguns que eram da sinagoga chamada dos Libertos, e dos cireneus, e dos alexandrinos, e dos que eram da Cilícia e da Ásia, e disputavam com Estêvão.
10 – E não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava.
11 – Então, subornaram uns homens para que dissessem: Ouvimos-lhe proferir palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus.
12 – E excitaram o povo, os anciãos e os escribas; e, investindo com ele, o arrebataram e o levaram ao conselho.
13 – Apresentaram falsas testemunhas, que diziam: Este homem não cessa de proferir palavras blasfemas contra este santo lugar e a lei;
14 – porque nós lhe ouvimos dizer que esse Jesus Nazareno há de destruir este lugar e mudar os costumes que Moisés nos deu.
15 – Então, todos os que estavam assentados no conselho, fixando os olhos nele, viram o seu rosto como o rosto de um anjo.

Atos 7
54 – E, ouvindo eles isto, enfureciam-se em seu coração e rangiam os dentes contra ele.
55 – Mas ele, estando cheio do Espírito Santo e fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus e Jesus, que estava à direita de Deus,
56 – e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, que está em pé à mão direita de Deus.
57 – Mas eles gritaram com grande voz, taparam os ouvidos e arremeteram unânimes contra ele.
58 – E, expulsando-o da cidade, o apedrejavam. E as testemunhas depuseram as suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo.
59 – E apedrejaram a Estêvão, que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito.
60 – E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu.

Introdução

Estudar a vida de Estêvão é compreender que o cristianismo bíblico sempre exigiu coragem ( tharréō – II Co 5:6-8) e renúncia ( arneomai heauton – Mt 16:24).

Como primeiro mártir da Igreja, ele foi descrito como “cheio do Espírito Santo” ( plērēs pneumatos hagiou – At 6.5), o que lhe conferiu sabedoria ( sophía ) e poder ( dýnamis ) para enfrentar acusações falsas, resistir a calúnias e manter firme sua confissão até a morte (At 6.9-15; 7:54-60).

Sua trajetória cumpre as palavras de Jesus: “Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguirem… porque grande é o vosso galardão nos céus” (Mt 5.11-12).

O testemunho de Estêvão demonstra que a Igreja não foi chamada para viver em conformidade com o mundo (Rm 12.2), mas para arriscar sua própria vida pelo Evangelho (Mc 8.35; Fp 1.21).

Ao contemplar os céus abertos ( anoigmenous tous ouranous – At 7:56) e ver a glória de Deus ( dóxa tou Theou ) e Jesus em pé à direita do Pai, Estêvão antecipa a esperança escatológica da Igreja (Cl 3.1-4; Hb 12.2).

Assim como ele não permitiu que a hostilidade apagasse a chama do seu testemunho, também somos chamados a olhar firmemente para Cristo ( aphorōntes eis Iēsoun – Hb 12:2), confiando que “em todas estas coisas somos mais que vencedores por aquele que nos amou” (Rm 8:37) e que “aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24:13).

1 – Estêvão e a Igreja que tem sua fé contestada

Estêvão é o paradigma da Igreja que, em sua missão profética, ousa proclamar a verdade em um mundo hostil.

O texto de Atos 6:8-10 o descreve como “cheio de fé e de poder” ( plērēs pisteōs kai dynameōs ), realizando “grandes sinais” ( sēmeia megala ) entre o povo, expressão que remete ao próprio ministério de Jesus (Jo 14:12).

Sua sabedoria ( sophia ) e o Espírito ( pneuma ) que o impulsionava eram irresistíveis, ecoando a promessa de Cristo: “Eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir” (Lc 21:15).

No entanto, tal manifestação da verdade despertou feroz oposição, pois a luz sempre desmascara as trevas (Jo 3.19-20).

A contestação sofrida por Estêvão não foi um acidente, mas o cumprimento do padrão bíblico: assim como os profetas foram perseguidos (II Cr 36:16; Mt 23:37), também a Igreja é chamada a enfrentar acusações e hostilidade (Jo 15:18-20).

A palavra “disputavam” em Atos 6.9 traduz o grego syzēteō , termo que carrega a ideia de debate ou controvérsia intensa, frequentemente usado para discussões religiosas e filosóficas (Mc 8:11; At 9:29).

Essa disputa não visava à verdade, mas sim impor uma narrativa contrária, estratégia semelhante às falsas testemunhas levantadas contra Cristo (Mc 14:55-59).

O discípulo de Cristo, portanto, deve estar preparado não apenas para “defender” a fé ( apologia , I Pe 3:15), mas também para permanecer firme ( stēkō , “estar inabalável”, I Co 16:13) diante da pressão cultural e espiritual.

Teologicamente, o exemplo de Estêvão evidencia que a fé genuína, fundamentada na revelação de Deus, sempre confrontará estruturas humanas corrompidas, denunciando pecados ocultos e sistemas injustos (Is 5:20; Ef 5:11).

Assim, a Igreja não pode se intimidar quando o Evangelho é colocado em xeque, pois seu chamado é viver e proclamar a verdade, ainda que isso custe a rejeição do mundo (Rm 1.16; Ap 12:11).

1.1 – Aprendendo com Estêvão

Estêvão nos ensina que a vida cristã autêntica é inseparável da fidelidade e da coragem espiritual.

O texto bíblico o descreve como homem “cheio do Espírito Santo” ( plērēs pneumatos hagiou – At 6.5), indicando plenitude e domínio do Espírito em sua vida, conforme a promessa de Efésios 5.18.

Sua vida íntegra e piedosa o credenciava diante de Deus e dos homens (At 6.3), tal como Paulo instruiria mais tarde a Timóteo sobre líderes de “boa reputação” ( martyria kalē , 1Tm 3.7).

Aprendemos que seguir a Cristo implica disposição para perder privilégios terrenos a fim de ganhar a coroa eterna (Lc 9.23; 2Tm 4.7-8).

Assim como Estêvão não hesitou em proclamar a verdade diante do Sinédrio, também a Igreja deve viver como testemunha fiel ( martys em grego, de onde vem “mártir”), mesmo que isso custe a própria vida (Ap 2.13).

1.2 – A fé sob ataque

Lucas registra que “levantaram-se” contra Estêvão alguns da sinagoga (At 6.9).

O verbo grego anistēmi sugere hostilidade organizada, como em Marcos 14.57, quando falsas testemunhas se levantaram contra Jesus.

Isso revela que o ataque à fé não é novo: assim como Cristo foi rejeitado, seus discípulos também seriam (Jo 15.18-20).

O texto ainda mostra que Estêvão realizava “prodígios e sinais” ( teras kai sēmeia ), elementos que autenticavam a mensagem do Evangelho, mas que também provocavam inveja e resistência (At 5.17).

A história da salvação mostra que a fé sempre encontrou opositores — dos falsos profetas do Antigo Testamento (Jr 26.8-11) aos perseguidores da Igreja (2Tm 3.12).

A Igreja, portanto, deve estar consciente de que sua fé será atacada, e que tal perseguição é evidência de que caminha nos passos do Mestre (Mt 10.22; Fp 1.29).

1.3 – A disputa com Estêvão

O texto afirma que os judeus helenistas “disputavam” com Estêvão (At 6.9).

O verbo grego utilizado é suzēteō , que significa “discutir, argumentar ou debater intensamente”, especialmente em contextos religiosos ou filosóficos.

Esse mesmo termo aparece em Marcos 8.11, quando os fariseus “disputavam” com Jesus, exigindo sinais do céu, e em Marcos 9.14, quando os escribas discutiam com os discípulos. Ou seja, trata-se de confrontos que ultrapassam o simples diálogo, pois revelam corações resistentes à verdade.

O alvo dos judeus helenistas não era aprender, mas impor sua cosmovisão por meio de narrativas persuasivas.

Estêvão, porém, falava cheio do Espírito ( plērēs pneumatos ), e sua sabedoria ( sophia ) vinha do alto (Tg 3.17), o que tornava impossível resistirem ao poder que se manifestava em sua defesa (At 6.10).

Assim como Paulo mais tarde “arrazoava” ( dialegomai ) nas sinagogas (At 17.2; 18.4), Estêvão utilizava as Escrituras como base para mostrar que Jesus era o cumprimento da Lei e dos Profetas (Lc 24.27).

Essa disputa revela uma verdade espiritual profunda: quando a Palavra é pregada com autoridade do Espírito, ela confronta estruturas religiosas, desmascara tradições humanas e exige decisão (Hb 4.12).

Não é raro que discussões religiosas sejam usadas para tentar calar a Igreja, mas Jesus prometeu: “Eu vos darei boca e sabedoria, a que não poderão resistir, nem contradizer todos quantos se vos opuserem” (Lc 21.15).

A Igreja, portanto, deve aprender com Estêvão que, mesmo diante de debates hostis, não deve depender de argumentos humanos, mas da sabedoria que procede do Espírito e da fidelidade inegociável à verdade revelada.

1.4 – A falsa narrativa

Em Atos 6.11-14, homens foram subornados para acusar Estêvão de blasfêmia contra Moisés e contra Deus.

A palavra “blasfemar” vem do grego blasphēmeō , que significa “falar contra, caluniar ou difamar”, e já havia sido usada contra Jesus (Mt 26.65; Jo 10.33).

O inimigo sempre cria narrativas distorcidas para desacreditar a verdade divina, repetindo a estratégia da serpente no Éden, quando distorceu a Palavra de Deus (Gn 3.1-5).

Essas falsas narrativas tentam neutralizar a fé cristã, mas a Escritura garante que nenhuma mentira prevalece diante da verdade (Pv 12.19; Jo 8.44).

Hoje, a Igreja continua enfrentando narrativas distorcidas, seja na relativização da verdade bíblica, seja em acusações infundadas contra sua missão.

Cabe-nos, como Estêvão, permanecer firmes na verdade, lembrando que “bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem” (Mt 5.11).

📌 Até aqui, aprendemos que

A Igreja, assim como Estêvão, é chamada a viver uma fé inabalável em meio a um mundo hostil.

Sua vida cheia do Espírito Santo (plērēs pneumatos hagiou – At 6.5) e de boa reputação (martyria kalē – 1Tm 3.7) nos mostra que o discípulo deve estar disposto a carregar sua cruz (Lc 9.23) e ser testemunha fiel (martys, de onde vem “mártir” – Ap 2.13).

Também vimos que a fé sempre será atacada, como no caso dos judeus helenistas que se levantaram contra Estêvão (anistēmi – At 6.9), lembrando que “todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2Tm 3.12). As disputas (suzēteō – At 6.9; Mc 8.11) não buscavam a verdade, mas impor narrativas falsas, assim como ocorreu com Jesus (Mc 14.57-59).

Por fim, as acusações de blasfêmia (blasphēmeō – At 6.11) revelam a estratégia satânica de distorcer a Palavra, iniciada no Éden (Gn 3.1-5).

Portanto, a Igreja deve estar sempre pronta a apresentar defesa da fé (apologia – 1Pe 3.15), responder com sabedoria do alto (Tg 3.17), enfrentar perseguições com coragem (Mt 5.11-12), refutar falsas narrativas pela verdade do Evangelho (Jo 8.32) e permanecer firme, lembrando que “o justo viverá da fé” (Hc 2.4; Hb 10.38), até alcançar a vitória final em Cristo (Rm 8.37; Ap 12.11).

Sinopse I

A fé de Estêvão foi duramente contestada por opositores religiosos e culturais, mas, cheio do Espírito Santo (plērēs pneumatos hagiou – At 6.5,10), ele permaneceu inabalável na verdade do Evangelho.

Sua firmeza confirma que a Igreja, sustentada pela Palavra (logos – Hb 4.12) e pelo Espírito, deve perseverar mesmo sob oposição e perseguição (2Tm 3.12; Mt 5.11-12), lembrando que “o justo viverá da fé” (Hc 2.4; Hb 10.38) e que a vitória pertence aos que permanecem fiéis até o fim (Ap 2.10).

Auxílio Bibliológico

Estêvão, ao ser acusado injustamente, reflete Cristo diante do Sinédrio, mostrando que a fidelidade à verdade deve ser mantida mesmo sob falsas testemunhas; assim como Jesus foi acusado de blasfêmia (Mt 26.65; Jo 10.33), ele enfrentou acusações semelhantes (At 6.11-14), tornando-se exemplo vivo de que a Igreja é chamada a sofrer por causa da justiça (1Pe 3.14-16).

Sua defesa, guiada pelo Espírito Santo (plērēs pneumatos hagiou – At 6.10), não foi mera retórica, mas verdadeira apologia (defesa racional – 1Pe 3.15), fundamentada nas Escrituras; percorreu a história de Israel, desde Abraão até Salomão, mostrando como Deus sempre guiou Seu povo e como este, repetidamente, resistiu ao Espírito Santo (At 7.51), lembrando a própria hermenêutica de Cristo, que expunha as Escrituras apontando o cumprimento em Si mesmo (Lc 24.27).

O termo “blasfêmia” (blasphēmeō), usado contra Estêvão, significa “falar contra, difamar”, e já havia sido empregado contra o Senhor, revelando que os servos participam dos sofrimentos do Mestre (Jo 15.20; Rm 8.17).

Assim, seu discurso demonstra que a apologética cristã não é apenas um exercício intelectual, mas uma proclamação profética e corajosa que aponta para Cristo como centro da revelação, ensinando-nos que defender a fé não é negociar a verdade, mas anunciá-la mesmo diante da morte, pois “sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10).

2 – Estêvão e a Igreja que defende sua fé

O discurso de Estêvão em Atos 7 constitui uma das mais sólidas e inspiradas defesas da fé cristã no Novo Testamento, sendo considerado um verdadeiro tratado de apologética ( apologia – 1Pe 3.15).

Guiado pelo Espírito Santo, ele percorre a história da salvação, mostrando que a rejeição ao Messias não foi um acidente histórico, mas parte de um padrão recorrente na relação entre Israel e Deus.

Ao citar Abraão , o pai da fé ( ’Avraham em hebraico – Gn 12.1-3; Hb 11.8), Estêvão lembra que a obediência à voz divina sempre exigiu ruptura com o mundo.

Ao mencionar José ( Yôsēf – Gn 37.28; Sl 105.17), mostra como o libertador enviado por Deus foi rejeitado por seus irmãos antes de ser exaltado, prefigurando Cristo (Jo 1.11).

E ao destacar Moisés ( Mōusēs , do hebraico Mosheh – Ex 2.10), evidencia que aquele que foi levantado como mediador da Lei também foi incompreendido e rejeitado (At 7.35).

Assim, Estêvão conclui que a resistência de Israel culmina na rejeição do próprio Messias prometido, Jesus de Nazaré (At 7.52).

Sua defesa é essencialmente cristocêntrica , pois demonstra que toda a Escritura aponta para Cristo como cumprimento da revelação divina (Jo 5.39; Lc 24.27,44).

Ele não apenas cita fatos históricos, mas interpreta-os sob a ótica da aliança, mostrando que a história de Israel foi pedagógica ( paidagōgos – Gl 3.24), conduzindo ao Cristo.

Além disso, sua acusação final, chamando o povo de “duros de cerviz” ( sklērotrachēlos – At 7.51; cf. Êx 32.9, hebraico qashēh-‘ōref ), ecoa a linguagem profética que denunciava a obstinação espiritual de Israel (Is 48.4; Jr 7.26).

Assim, a Igreja de hoje deve resgatar essa mesma ousadia ( parrēsia – At 4.31), fundamentando sua defesa não em filosofias humanas, mas na Palavra inspirada por Deus ( theopneustos – 2Tm 3.16), conduzindo sempre toda objeção à centralidade da cruz (1Co 1.23-24; Gl 6.14).

A apologética cristã não é mero debate intelectual, mas proclamação profética que revela Cristo como o centro da história, da Lei e dos Profetas (Mt 5.17; Rm 10.4), chamando todos ao arrependimento e à fé (At 17.30).

2.1 – Deus na história do seu povo

Estêvão inicia sua defesa apresentando Deus como o Senhor da história , lembrando a trajetória de Israel desde Abraão até Salomão (At 7.2-50).

O chamado de Abraão mostra que a eleição divina é ato de graça, não de mérito (Gn 12.1-3; Hb 11.8).

A palavra hebraica para “chamado” é qārā’ , que significa convocar, chamar pelo nome, destacando a iniciativa soberana de Deus.

A menção a José ( Yôsēf ) evidencia como o Senhor transforma o mal em bem (Gn 50.20; Sl 105.17-22), preservando a vida do seu povo.

Já Moisés ( Mosheh ) simboliza o mediador rejeitado antes de ser reconhecido como libertador (At 7.35), prefigurando Cristo, o verdadeiro Mediador da nova aliança (Hb 8.6; 1Tm 2.5).

Essa recapitulação mostra que Deus sempre guiou a história, mesmo diante da rebeldia humana, lembrando que Ele é o “Deus vivo” ( theos zōntos – Jr 10.10; At 14.15) que conduz Seu povo rumo à plenitude em Cristo (Ef 1.10).

2.2 – Corações endurecidos

Na parte final de seu discurso, Estêvão denuncia a obstinação espiritual de Israel: “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e ouvido” (At 7.51).

A expressão “dura cerviz” traduz o grego sklērotrachēlos , formado por sklēros (duro) e trachēlos (pescoço), que corresponde ao hebraico qashēh-‘ōref (Êx 32.9), indicando rigidez, inflexibilidade e rebeldia contra Deus.

Já a expressão “incircuncisos de coração” vem do grego aperitmētos kardia , remetendo ao hebraico ‘arēl lēb (Dt 10.16; Jr 9.26), símbolo de um coração não consagrado ao Senhor.

Estêvão mostra que a rejeição à mensagem não é falta de evidências, mas dureza de coração (Is 6.9-10; Mc 3.5).

Essa mesma realidade se repete hoje: muitos resistem ao Espírito Santo ( antipiptete tō pneumati tō hagiō – At 7.51), rejeitando a graça e preferindo as trevas à luz (Jo 3.19-20).

A Igreja deve estar preparada para enfrentar essa resistência, sabendo que a incredulidade não anula a fidelidade de Deus (Rm 3.3-4).

2.3 – A atualidade da defesa da fé

A defesa de Estêvão continua sendo modelo para a Igreja contemporânea. Ele não apelou a argumentos meramente humanos, mas às Escrituras iluminadas pelo Espírito Santo.

Esse é o verdadeiro sentido de apologia (1Pe 3.15) — apresentar uma defesa fundamentada na revelação divina e vivida em santidade.

O apóstolo Paulo segue o mesmo princípio ao “arrazoar” ( dialegomai – At 17.2; 18.4) nas sinagogas, demonstrando pelas Escrituras que Jesus é o Cristo.

A apologética cristã deve ser cristocêntrica, conduzindo toda objeção para a cruz (1Co 1.23; Gl 6.14), e prática, acompanhada de vida santa, pois “a fé sem obras é morta” (Tg 2.26).

Hoje, diante de ideologias, relativismo e perseguições modernas, a Igreja deve defender a fé com ousadia ( parrēsia – At 4.31), mansidão e temor (1Pe 3.15), convicta de que o Evangelho é poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16).

📌 Até aqui, aprendemos que

A defesa da fé, como demonstrada por Estêvão, precisa ser bíblica, fundamentada na revelação de Deus ao longo da história; cristocêntrica, mostrando que toda a Escritura aponta para Cristo como cumprimento da promessa (Jo 5.39; Lc 24.27); e espiritual, sustentada por uma vida de obediência ao Espírito Santo (At 7.51; 1Pe 3.15).

Embora os homens de coração endurecido (sklērotrachēlos, “dura cerviz” – At 7.51; cf. Êx 32.9) resistam à verdade, a Igreja deve permanecer firme, defendendo sua fé com ousadia (parrēsia – At 4.31), santidade e centralidade em Cristo, convicta de que a Palavra de Deus é viva (zōn), eficaz (energes) e mais penetrante que espada de dois gumes (Hb 4.12), sendo o instrumento pelo qual o Senhor convence, transforma e salva (Rm 1.16; 2Tm 3.16).

Sinopse II

Estêvão defendeu sua fé fundamentando-se na história da salvação e apontando para Cristo como o cumprimento das Escrituras, mostrando que a verdadeira apologética cristã deve ser sempre cristocêntrica (Jo 5.39; Lc 24.27).

Sua defesa revela que toda a revelação divina converge para Jesus, o Messias rejeitado, mas exaltado à direita de Deus (At 7.52-55), confirmando que Ele é o “fim da lei” (telos nomou – Rm 10.4) e o centro do plano eterno de Deus.

Assim, a Igreja, seguindo seu exemplo, deve apresentar a fé com ousadia (parrēsia – At 4.31), santidade de vida e centralidade na cruz (1Co 1.23; Gl 6.14), demonstrando que Jesus é a chave interpretativa da Escritura e a razão última de toda defesa da verdade (1Pe 3.15).

Auxílio Bibliológico

Estêvão não apenas administrava com diligência a diaconia (At 6.3), mas também era um orador cheio de sabedoria ( sophía ), guiado pelo Espírito Santo ( plērēs pneumatos hagiou – At 6.10).

Sua defesa diante do Sinédrio revela que a verdadeira apologética ( apología – 1Pe 3.15) é inseparável da fidelidade a Cristo e da vida no Espírito.

Ele apresentou um panorama da história de Israel, de Abraão a Salomão, aplicando as Escrituras de modo profético para mostrar que o padrão de rejeição aos enviados de Deus culminava na rejeição do Messias (At 7.51-53).

Essa ousadia ( parrēsia – At 4.31) deixou claro que sua defesa não era uma tentativa de autopreservação, mas uma proclamação cristocêntrica da verdade.

Suas últimas palavras ecoaram as de Jesus na cruz: “Senhor, não lhes imputes este pecado” (At 7.60; cf. Lc 23.34), revelando que o Espírito o conformava à imagem do Filho (Rm 8.29).

O termo grego usado para “perdoar” no pedido de Estêvão é logizomai , “não considerar, não lançar em conta”, sublinhando a profundidade do perdão cristão.

Seu martírio, longe de ser derrota, tornou-se testemunho ( martyria ), palavra que no Novo Testamento também se transforma em “martírio”.

Esse ato impactou profundamente Saulo de Tarso, presente à cena (At 7.58), mostrando que o sangue de Estêvão foi semente para o surgimento de um dos maiores pregadores do Evangelho (At 9.15; Gl 1.23).

Assim, aprendemos que a apologética cristã não é apenas debate intelectual, mas vida encarnada na verdade, capaz de testemunhar Cristo até as últimas consequências (Ap 12.11).

3 – Estêvão e o martírio da Igreja

O martírio de Estêvão constitui um marco histórico e teológico para a Igreja Primitiva (At 7.54-60), pois nele se cumpre a palavra de Jesus: “sereis minhas testemunhas” ( mártyres – At 1.8), termo grego que evoluiu para significar também “mártir”.

Ao contemplar os céus abertos, Estêvão viu “a glória de Deus” ( dóxa tou Theou ) e “Jesus em pé à direita de Deus” ( Iēsoun hestōta ek dexiōn tou Theou – At 7.55-56).

O detalhe de Cristo estar em pé , e não sentado como em outras passagens (Sl 110.1; Hb 1.3), indica Sua postura ativa de Intercessor ( entynchanein – Rm 8.34) e Advogado ( paráklētos – 1Jo 2.1), recebendo o primeiro mártir da Igreja.

Estêvão se tornou, assim, o cumprimento de Apocalipse 2.10: “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.”

Mesmo sendo apedrejado, ele seguiu os passos de Cristo, orando: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (At 7.59), em paralelo direto com as palavras de Jesus na cruz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (paratíthemai to pneuma – Lc 23.46).

O verbo paratíthemi significa “depositar em confiança”, revelando absoluta entrega ao cuidado divino. Além disso, Estêvão perdoa seus algozes: “Senhor, não lhes imputes este pecado” (At 7.60).

O verbo logízomai aqui traduzido por “imputar” significa “lançar na conta, registrar”, mostrando que o perdão consiste em cancelar a dívida do ofensor, exatamente como Cristo ensinou em Mt 6.12 e praticou em Lc 23.34: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.”

Esse testemunho revela que a vitória da Igreja não está em escapar da perseguição, mas em permanecer fiel até o fim (Hb 12.2; Ap 12.11).

O sangue de Estêvão, longe de ser derrota, tornou-se semente ( sperma ) para a expansão do cristianismo, ecoando a máxima de Tertuliano: “O sangue dos mártires é a semente da Igreja” .

Sua morte impactou profundamente Saulo de Tarso, que consentia no apedrejamento (At 7.58; 8.1), mas que mais tarde se tornaria Paulo, o apóstolo dos gentios (At 9.15; 1Co 15.10).

Assim, a Igreja deve lembrar que a cruz precede a coroa (Rm 8.17-18; 2Tm 4.7-8) e que a verdadeira vitória consiste em perseverar fiel até a morte, sabendo que “preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos” ( yāqār bĕʿênê YHWH – Sl 116.15).

3.1 – Contemplando a vitória da cruz

Ao ser apedrejado, Estêvão levantou os olhos e viu “os céus abertos” ( anoigmenous tous ouranous – At 7.56) e Jesus em pé à direita de Deus.

Esse detalhe é riquíssimo: normalmente a Escritura descreve Cristo assentado ( kathizō ) à direita do Pai (Sl 110.1; Hb 1.3), em sinal de autoridade e descanso, mas aqui Ele aparece em pé ( hestōta ), como quem se levanta em defesa e recepção do mártir fiel.

Essa visão confirma a promessa de Cristo: “Quem me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai” (Mt 10.32).

Teologicamente, Estêvão antecipa a esperança escatológica da Igreja, vendo na vitória da cruz a garantia da glória eterna (Rm 8.17-18; 2Co 4.17).

O sofrimento não foi sinal de derrota, mas de triunfo, pois nele se manifestou a fidelidade de Cristo em sustentar seus servos até o fim (1Pe 4.13-14).

3.2 – Morrendo com perdão

A oração final de Estêvão — “Senhor, não lhes imputes este pecado” (At 7.60) — ecoa diretamente as palavras de Jesus: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34).

O verbo grego usado é logízomai , que significa “lançar na conta, registrar”, e aqui no negativo expressa o ato de não atribuir culpa, ou seja, de cancelar a dívida moral do ofensor.

Essa atitude traduz o coração do Evangelho, que é reconciliação (2Co 5.19).

O perdão é o maior sinal do poder do Espírito, pois somente alguém cheio do Espírito Santo ( plērēs pneumatos hagiou – At 7.55) poderia agir assim.

O exemplo de Estêvão confirma o ensino do Senhor no Pai-Nosso: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (Mt 6.12).

Dessa forma, o martírio não foi apenas testemunho de coragem, mas expressão concreta do amor de Cristo derramado em seu coração (Rm 5.5).

3.3 – O impacto do martírio

O martírio de Estêvão não terminou em silêncio; ele gerou frutos que ecoam até hoje.

Entre os que presenciaram sua morte estava Saulo de Tarso, que consentia em sua execução (At 7.58; 8.1).

Embora naquele momento Saulo fosse perseguidor da Igreja, o testemunho de Estêvão certamente marcou sua consciência, preparando o caminho para seu encontro com Cristo no caminho de Damasco (At 9.3-6).

Historicamente, o sangue de Estêvão se tornou “semente” ( sperma ) para a expansão da Igreja, confirmando que “o sangue dos mártires é a semente do cristianismo”.

Do ponto de vista teológico, seu martírio ilustra Apocalipse 12.11: “Eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho, e não amaram as suas vidas até à morte.”

Assim, aprendemos que o sofrimento dos santos nunca é em vão (Sl 116.15), mas instrumento que Deus usa para despertar, inspirar e fortalecer a fé da Igreja em todas as gerações.

📌Até aqui, aprendemos que…

O martírio de Estêvão nos ensina verdades eternas para a Igreja:

  • Primeiro, que contemplar a vitória da cruz é olhar para os céus abertos ( anoigmenous tous ouranous – At 7.56) e reconhecer que Cristo, em pé à direita de Deus, intercede e recebe seus fiéis (Rm 8.34; Hb 7.25);
  • Segundo, que morrer com perdão, como Estêvão ao clamar “não lhes imputes este pecado” ( mē stēsēs autois tēn hamartian tautēn – At 7.60), é tornar-se reflexo do próprio Cristo na cruz (Lc 23.34), mostrando que a essência do testemunho cristão é o amor que cancela a culpa e reconcilia (2Co 5.19; Rm 5.5);
  • Terceiro, que o impacto do martírio não se encerra na morte, mas gera frutos para a eternidade, pois o sangue de Estêvão se tornou semente ( sperma ) que alcançou até Saulo de Tarso (At 7.58; 9.3-6), demonstrando que “preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos” ( yāqār bĕʿênê YHWH – Sl 116.15) e que a fidelidade até a morte é coroa de vida para a Igreja (Ap 2.10; 12.11).

Sinopse III

O martírio de Estêvão confirma que a verdadeira vitória da Igreja não consiste em escapar da perseguição, mas em permanecer fiel até a morte (Ap 2.10).

Ao ver os céus abertos e Cristo em pé à direita de Deus (At 7.55-56), ele nos mostra que a esperança cristã é escatológica, firmada na glória futura (Rm 8.18; 2Co 4.17).

Suas últimas palavras, entregando o espírito ao Senhor ( paratíthemi to pneuma – At 7.59; Lc 23.46) e perdoando os ofensores ( mē logisthē autois – At 7:60), revelam que a fidelidade da Igreja é vitoriosa mesmo em meio à morte, pois espelha o próprio Cristo na cruz (Lc 23.34).

Assim, o sangue dos mártires se torna semente ( sperma ) para novos discípulos, e a perseverança até o fim é a coroa de vida prometida pelo Senhor (Tg 1:12; Ap 12:11).

Auxílio Bibliológico

O martírio de Estêvão é um dos episódios mais impactantes do livro de Atos, pois nele vemos a união perfeita entre testemunho cristão ( martyria ) e martírio ( martys ).

Seu rosto resplandecente “como o de um anjo” (At 6.15) remete à glória refletida por Moisés ao descer do Sinai ( qaran ‘ôr panav – Êx 34.29-30), mostrando que a comunhão com Deus transfigura o servo em meio à adversidade.

Ao contemplar “os céus abertos” ( anoigmenous tous ouranous ) e Cristo “em pé à direita de Deus” (At 7:55-56), Estêvão confirma que o sofrimento terreno é compensado pela glória eterna (Rm 8.18; 2Co 4.17).

Suas últimas palavras — “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” ( Kyrie Iēsou, dexai to pneuma mou – At 7:59) e “Senhor, não lhes imputes este pecado” ( mē stēsēs autois tēn hamartian tautēn – At 7:60) — ecoam diretamente as de Cristo na cruz (Lc 23.34,46), revelando que o Espírito Santo o conformava à imagem do Filho (Rm 8:29).

O verbo paratíthemi , usado por Lucas em Lc 23:46 (“nas tuas mãos entrego o meu espírito”), significa “depositar em confiança”, revelando a entrega absoluta ao cuidado divino; já o verbo logízomai , traduzido como “imputar”, indica o cancelamento de uma dívida, mostrando que Estêvão não apenas suportou o sofrimento, mas exerceu o perdão radical, essência do Evangelho (2Co 5:19).

Seu martírio impactou profundamente Saulo de Tarso (At 7.58; 8.1), lembrando-nos que “preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos” ( yāqār bĕʿênê YHWH – Sl 116.15).

Assim, aprendemos que o martírio não é derrota, mas vitória, pois a Igreja vence “pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho” (Ap 12.11).

Conclusão

A trajetória de Estêvão nos revela que ser Igreja é viver disposta a arriscar-se por Cristo, mesmo diante de perseguições, acusações falsas e morte.

  • No Tópico 1 , aprendemos que a fé genuína sempre será contestada, mas como Estêvão, cheio do Espírito Santo ( plērēs pneumatos hagiou – At 6.5,10), a Igreja deve responder com sabedoria ( sophía ) e permanecer inabalável ( stēkō – 1Co 16.13), sabendo que “todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2Tm 3.12).
  • No Tópico 2 , sua defesa mostrou que toda a história de Israel convergia para Cristo, o verdadeiro cumprimento da Lei e dos Profetas (Jo 5.39; Lc 24.27,44). Estêvão denunciou os “duros de cerviz” ( sklērotrachēlos – At 7.51; cf. Êx 32.9), revelando que a resistência ao Espírito Santo ( antipiptete tō pneumati tō hagiō ) é fruto de corações incircuncisos ( aperitmētos kardia ), chamando-nos a uma vida de obediência e santidade.
  • No Tópico 3 , seu martírio mostrou que a vitória da Igreja não está em escapar da perseguição, mas em permanecer fiel até a morte (Ap 2.10). Suas últimas palavras — “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (At 7.59) e “não lhes imputes este pecado” ( mē logisthē autois – At 7.60) — ecoaram as de Cristo na cruz (Lc 23.34,46), confirmando que a cruz precede a coroa (Rm 8.17-18; 2Tm 4.7-8).

Assim, a história de Estêvão é um chamado para a Igreja de todas as eras: sermos testemunhas ( mártyres ) fiéis do Evangelho, vivendo com os olhos fixos em Cristo ( aphorōntes eis Iēsoun – Hb 12.2), sustentados pela esperança da glória futura.

Se a fé nos colocar diante de hostilidade, lembremos que “preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos” ( yāqār bĕʿênê YHWH – Sl 116.15) e que “aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24.13).

Portanto, a Igreja é chamada a defender a fé com coragem, viver a Palavra com fidelidade e, se necessário, entregar a própria vida com confiança, certos de que “em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou” (Rm 8.37).

Revisando o conteúdo

  • 1- O que podemos aprender com Estêvão?
    Aprendemos que a fé cristã sempre será questionada, será colocada à prova, mas não há espaço para indecisão. Estêvão nos ensina que todo cristão deve saber defender a sua fé.
  • 2- Quem foram os que se levantaram contra Estêvão?
    Um grupo de judeus que viviam fora de Israel, chamados de judeus helenistas, se levantaram contra ele. Esses judeus faziam parte da Diáspora.
  • 3- Contra o quê a Igreja sempre teve que lidar e combater?
    A igreja sempre teve que lidar e combater as falsas narrativas. A igreja luta em várias frentes com falsas narrativas que a todo custo querem minar o seu testemunho e desacreditá-la.
  • 4- Como Estêvão fez uma defesa apaixonada da fé?
    Ele faz uma defesa apaixonada da fé, usando a própria história do povo de Israel como base.
  • 5- O que Estêvão pôde contemplar diante de um grupo enfurecido?
    Diante de um grupo enfurecido (At 7.54), Estêvão contemplou a glória de Deus: “Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, que está em pé à mão direita de Deus” (At 7:56).

    📌 Aplicação Prática da Lição
    Viva sua fé com coragem e perseverança, lembrando que seguir a Cristo envolve não apenas bênçãos, mas também riscos e renúncias (Lc 9:23; II Tm 3:12).

    O testemunho cristão deve ser integral, expresso em palavras ( logos ) e em atitudes concretas ( erga – Tg 2:17), refletindo a luz de Cristo em um mundo marcado por trevas espirituais (Mt 5:14-16; Fp 2:15).

    Assim como Estêvão permaneceu firme diante da oposição, a Igreja é chamada a ser sal e luz, sustentada pelo Espírito Santo, sabendo que a vitória não consiste em evitar a perseguição, mas em permanecer fiel até o fim (Ap 2:10; Hb 12:2).

    📢 Desafio da Semana
    Ore com fervor pelos cristãos perseguidos ao redor do mundo, lembrando que o corpo de Cristo é um só, e “se um membro padece, todos os membros padecem com ele” ( sympaschō – I Co 12:26).

    Interceda para que o Senhor os fortaleça em meio às tribulações (Hb 13:3; II Ts 3:1-2), concedendo-lhes ousadia ( parrēsia – At 4:31), perseverança até a morte (Ap 2:10) e a certeza da coroa da vida.

    Ao orar, reflita que muitos irmãos ainda hoje arriscam suas vidas pelo Evangelho, e que suas lágrimas e sofrimentos não são esquecidos diante de Deus, pois “preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos” (yāqār bĕʿênê YHWH – Sl 116:15).

    Seu irmão em Cristo, Pr. Francisco Miranda do Teologia24horas, um jei​to inteligente de ensinar e aprender!​

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